Qual papel do Fanzine hoje no cenário dos quadrinhos?

Se você é um consumidor de quadrinhos, é provável que já tenha comprado algum fanzine ou até mesmo produzido o seu.

Na coluna de hoje falarei um pouco sobre este que é um dos caminhos mais comuns para os iniciantes que se aventuram neste mundo fantástico da nona arte.

O termo foi cunhado por Russ Chauvenet e popularizado entre os fãs de ficção científica. Aos poucos a palavra (uma aglutinação das palavras inglesas fan e magazine) passou a designar publicações não profissionais e não oficiais, produzidas por fãs e entusiastas de alguma expressão artística ou gênero específico.

Os quadrinhos estão ligados à produção de fanzines desde a sua gênese. Superman teve sua primeira versão, o conto ilustrado The Reign of the Superman, publicada na terceira edição do fanzine de ficção científica Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization. O personagem foi reformulado pelos criadores Jerry Siegel e Joe Shuster e vendido para a DC Comics por 130,00 dólares.

Os fanzines também têm uma história muito ligada ao movimento punk, por conta da cultura do “faça você mesmo”. Não havia nada mais punk do que criar publicações independentes que protestavam contra os valores conservadores, a situação política e o “tédio cultural” que marcava aquela época.
O fanzine era contestador e deliberadamente grosseiro. E a questão central de nosso debate é essa: qual papel o fanzine cumpre hoje, no cenário dos quadrinhos? Para quem se aventura na produção de quadrinhos é comum que o caminho natural se inicie com os fanzines, eles são mais baratos e não exigem alto grau de profissionalização.

Qualquer um pode fazer um fanzine. Muitas feiras, no Brasil e no resto do mundo, são voltadas para a exibição e venda de fanzines e outros impressos. A Ugra Press realiza, desde 2011, em São Paulo, o Ugra Zine Fest (que a partir de 2017 passou a se chamar Festival Ugra Fest – Quadrinhos e Publicações Independentes).
O evento reúne em uma exposição e um catálogo, publicações independentes, além de oferecer espaço para vendas desses produtos e outras atividades. Além disso, a Ugra Press possui uma loja física onde comercializa as produções de quadrinistas.

Fanzineologia é uma pequena editora de língua espanhola especializada em autopublicação de independentes. Em seu perfil no Instagram, a editora se concentra na missão de divulgar fanzines que chegam até eles, além de seus próprios. São publicações das mais diversas temáticas e níveis de acabamento gráfico.

Hoje, com a expansão do modelo de negócios da Amazon e outras gigantes do mercado, além das crises que o mercado editorial sofre no Brasil, a autopublicação talvez ainda seja a melhor forma de continuar produzindo. Em muitos lugares ela é a única opção.

Para quem se aventura na produção de quadrinhos é comum que o caminho natural se inicie com os fanzines, eles são mais baratos e não exigem alto grau de profissionalização. Qualquer um pode fazer um fanzine.

Mas a produção de fanzines não pode ser vista como uma “etapa” a ser vencida pelo artista, apenas um degrau que o levará ao mercado editorial e aos rios de dinheiro fácil. Muitos continuam produzindo de forma independente e ainda assim publicam por editoras.

O fanzine exerce, portanto, papel fundamental nesse cenário. Ele é o espaço e o momento ideal para o artista experimentar e aprender. Com ele, o artista não tem as amarras que o mercado editorial pode impor. As escolhas editoriais são todas suas.

Ser independente não é sinônimo de fracasso. O maior exemplo disto é quadrinista brasileiro Marcatti, que já publicou por diversas editoras e ganhou inúmeros prêmios importantes para o cenário, mas continua produzindo suas histórias num ritmo quase tão alucinante quanto o dos quadrinhos mainstream.

O mercado editorial ainda deve passar por diversas transformações, assim como o hábito de consumo do público, mas o fanzine sempre terá lugar cativo no cenário dos quadrinhos e nas outras expressões artísticas em que ele está presente.

Fonte: https://www.mapinguanerd.com.br/qual-papel-do-fanzine-hoje-no-cenario-dos-quadrinhos-papo-em-quadros/

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