Em entrevista, Remédio Sem Causa fala sobre o CD Controle

O álbum chegou às plataformas digitais em agosto e também pode ser encontrado em CD com material exclusivo como bônus

O álbum que foi desenvolvido nos ultimos 2 anos de maneira caseira no estilo “DIY” (faça você mesmo) e interrompido obviamente pela pandemia, agora dá as caras ao público. Conversamos com a banda sobre o processo deste álbum.

Após um EP de 2017, e 4 singles, a banda chega ao seu álbum de estréia, o intitulado “Controle”, como enxergam essa experiência do debut?
(Vinícius Batista) A transição das músicas do EP para as músicas do disco foi algo quase que natural, muito influenciada por uma evolução técnica da banda. A entrada do Giovane como baterista foi outro fator determinante, trazendo músicas com mais peso, mas também trazendo linhas de baterias muito criativas para músicas mais leves e lentas. O próprio processo de gravação também influenciou muito na sonoridade de “Controle”, por ter sido feito quase todo à distância com os membros gravando em suas próprias casas. Lançar o primeiro disco tem sido uma experiência única e muito divertida.

As faixas que compõem o disco foram todas criadas entre 2019 e 2021, alguma era de um repertório antigo?
(Vinícius Batista) Apesar de o disco ter começado a tomar forma em 2019, com o lançamento de “Baritimia”, primeiro single preparado pra ele, uma pequena parte das músicas foram escritas ainda em 2018, “Em Série” que é a mais antiga é do ano de 2017 e foi a primeira música a ser composta após o lançamento do EP “Sobre a Sociedade”. A grande maioria foi composta a partir de 2019, com parte das músicas sendo escritas ainda nesse ano de 2021.

Comentem um pouco sobre cada faixa do álbum.
A ideia de colocar “Monólogo” pra abrir o disco foi de dar um choque, porque se trata de uma música explosiva. A letra é um diálogo do interlocutor consigo mesmo, com letra do Vinícius. Berros de Pedro Moreira, da Noise More Bleed. “Cinema Japonês” havia sido lançada como single e talvez seja a com maior apelo pop do disco… Quem sabe? O riff principal é inspirado pelo pós-punk e college rock, tipo de um R.E.M. da vida. Uma virada de batera bem 90s no refrão, quebradona. Letra do Vinícius. “Medo” tem muita coisa do pós punk e indie, com grande inspiração de Pixies. Participação especial da queridissima Juliana Trevisan, toda trabalhada no riot grrrl. Letra inteira do Giovane, abordando a cultura armamentista paranóica. “Vulgar” é uma crítica direta ao governo Bolsonaro e a necropolitica deles. Muita inspiração de bandas punk anos 90, com traços do indie. Letra de nós 3. “Embate” era mais um single, música bem melódica e uma das raras que tem solo. Início mais Fugazi. Letra do Igor e Vinícius. “Silêncio” seria o que terminaria o Lado A de um LP, foi colocada ali pra isso. Quase que totalmente pós-punk, bem Joy Division, quebra totalmente o ritmo do disco pra simbolizar uma trégua mesmo. Letra do Giovane e Igor, inspirado pelo livro O Estrangeiro do Camus. “Thelema” é pra dar mais um choque com uma porradaria torta bem inspirada na fase My War do Black Flag, misturada com um hardcore melódico e no-wave. O título não tem a ver com nada, bem como a letra trabalha um lance de codificação de sentidos. A referência do título talvez se encaixe mais nisso, nessa letra do Vinícius. “Baritimia” é uma música que fala sobre culpa e solidão. Letra do Igor, riff bem inspirado em Rites of Spring, última dos 3 singles de divulgação lançados anteriormente. “O Vazio”, a mais metal do disco, inspirada pela fase Bleach do Nirvana e pedais do Dead Kennedys com delay. Participação do Matheus Lopes da banda Churrus. Letra do Vinícius. “Em Série” traz influências da New Wave do Devo no refrão e do Real Emo do American Football no interlúdio. Mistureba daquelas que resultou na mais dançante do disco. A letra mais antiga é do Vinícius e fala sobre massificação. “Trabalho” é uma letra inspirada em Chico Buarque, do Igor, com um tema bem universal. Fecha o disco com um ar mais emocionante, com acordes de guitar bands dos anos 90. Outras influências poderiam ser o Sonic Youth e Stooges.

Existem algumas participações especiais no disco, nos falem sobre isso.
(Giovane Dâmaso) Nosso disco conta com várias participações especiais de amigos que sempre estiveram ao lado da banda e nos apoiaram em vários momentos, seja na produção dos shows, gravação ou na divulgação do nosso material. Já na primeira faixa contamos com o Pedro, que sempre esteve dando força nos corres da banda, ajudando com o transporte e prestigiando nossos shows. Ele é vocalista das bandas Noise More Bleed e da Path to Nihil e contribuiu com os vocais guturais da faixa Monólogo. Logo em seguida, na faixa Medo, temos a participação da Juliana nos refrões, que pode ser considerada quarta integrante da banda. Desde que conheço a banda nunca vi um evento em que ela não estivesse presente, sempre dando uma força onde fosse possível, acredito que quase todo material fotográfico da banda tenha sido feito por ela. A Juliana é baterista e tem uma banda muito bacana chamada Gaspacho que vale a pena conferir. Por fim, na faixa O Vazio temos a presença do Matheus Lopes, conhecido como Toad, nos vocais do refrão. O Matheus pode ser considerado um padrinho da banda e grande parte da evolução da banda tem influência sua. As bandas que ele toca também sempre serviram como inspiração para Remédio Sem Causa, principalmente a Churrus, e atualmente a Captain Lopes and the Crazy Toads, que conta com a participação do nosso guitarrista/vocalista Igor na sua formação.

Quem criou toda estética da capa? E o que buscaram transmitir através dela?
(Igor Monteiro) Foi o Duo Anyl, um casal que trabalha com colagens digitais, lá de Juiz de Fora. A ideia deles foi explorar o conceito de controle abordado no álbum, e o personagem maior, inserido numa metrópole – representando a sociedade de modo geral – simboliza toda uma grande estrutura de controle, seja psicólogica ou social, em que o personagem menor é submetido.

O álbum teve edição física via Rapadura Records e Salitre Records, qual a importância dos selos e do formato físico ainda nos dias atuais?E nos falem sobre o material bônus que há no formato físico ?
(Igor Monteiro) Os selos ajudaram principalmente no financiamento das prensagens, o que foi essencial pra consolidação do projeto. Acredito que a importância do selo é a de promover as bandas, atuando como um coletivo, colaborando com a logística, ajudando a produzir, distribuir materiais e organizar eventos, o que é fundamental. Com relação ao formato físico, pra mim, como colecionador, é de grande importância. Acredito que o formato físico proporciona uma outra interação com a arte, de maior intimidade e imersão, além de se tratar de um material de alta qualidade. O áudio de um CD, por exemplo, dificilmente pode ser equiparado com o dos streamings. Por mais que a mídia possa parecer obsoleta, trata-se na verdade de um dos melhores formatos pra audição, muito fiel ao que a banda realmente gostaria de apresentar aos fãs. Quem comprar nosso CD terá acesso exclusivo a um documentário produzido por nós, que conta a história da banda e do disco, além de várias fotos, wallpapers e o download digital em alta qualidade.

Há expectativa de gravação de clipe? O que há no futuro da banda?
Por enquanto a ideia é explorar as músicas do disco, que foi muito trabalhoso. É possível que algum clipe seja lançado, mas para isso é preciso que a pandemia seja controlada. Desejamos  lançar muito mais singles e discos em um futuro nem tão distante.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Escreva e pressione ENTER para pesquisar