Trailerfuss estreia com “Roteiro Sem Final”: o rock alternativo dos anos 90 ganha nova voz direto do underground carioca
A cena alternativa do Rio de Janeiro acaba de ganhar um novo nome para se prestar atenção: Trailerfuss. Formada por Carol Lima (vocal), Léo Oliveira (guitarra, violão, gaita e backing vocals), Lucas Viana (guitarra e teclados), Bruno Monteiro (bateria) e Val Waxman (baixo), a banda nasceu de encontros fortuitos em um curso de cinema, onde a troca de referências visuais acabou desembocando, quase sem querer, em riffs sujos e composições urgentes. O resultado é “Roteiro Sem Final”, EP de estreia já disponível nas plataformas de streaming.
Mais do que uma homenagem ao rock alternativo dos anos 90, o disco é um recorte sincero das experiências cotidianas do grupo, embaladas por fuzz, delays e phasers que resgatam a sonoridade crua de três décadas atrás. Com cinco faixas, o EP é um convite a mergulhar em atmosferas que transitam entre a introspecção e a energia visceral.
“A gente se conheceu falando de filmes, discutindo referências audiovisuais. Foi meio sem querer… Cantei algo à capela no Instagram, o Léo viu e na semana seguinte estávamos compondo juntos”, relembra Carol. A química foi instantânea — e o som nasceu desse fluxo natural, entre conversas, improvisos e a necessidade de expressar.
Gravado e mixado por Kleber França (Planet Hemp) no HR Estúdio e masterizado por André Leal (Stone House on Fire) no Estúdio Jukebox, “Roteiro Sem Final” aposta numa produção que valoriza os graves e texturas orgânicas. As guitarras se entrelaçam entre distorções e ambientações etéreas, enquanto os vocais se equilibram entre melodia e contenção. “Sempre gostei do som mais cru e direto daquela época. Quisemos trazer isso para as nossas músicas, mas com alguma identidade própria — que ainda estamos tentando entender qual é”, comenta Léo.
O disco abre com “Tenho Asas”, faixa de urgência melódica que convida a romper com aquilo que não se pode entender. Em “Circo”, a vida é encenada sobre uma corda bamba, com riffs que alternam calmaria e explosão. “O Rei da Solidão” desenha castelos de areia sobre a amarga consciência de existir em um “reino cinza”, enquanto “Quem É Você” baixa o tom para refletir sobre identidades fragmentadas e espelhos quebrados. O EP se encerra com “O Filme do Mês”, faixa que retorna ao universo cinematográfico para narrar um roteiro reescrito a cada instante — uma metáfora sonora da persistência.
“As letras tentam refletir questões que vivemos e sentimos. São temas cotidianos, mas iluminados sob a lente que escolhemos”, define Lucas. Para Bruno, os arranjos foram pensados para equilibrar o peso e a melodia: “Queríamos experimentar sem perder o fio que nos trouxe até aqui”. Já Val destaca a liberdade criativa como ponto forte: “O que mais me atraiu na Trailerfuss foi a possibilidade de criar dentro de uma estética que me representa”.
Com “Roteiro Sem Final”, a Trailerfuss não apenas se apresenta — ela se posiciona. Traz um EP que carrega o passado no timbre, mas projeta o futuro nas intenções. E mostra que a cena underground ainda tem muito a dizer, sem pressa para encerrar o filme.
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