Lule retorna ao Brasil após 11 anos em Londres e lança álbum ao vivo com a banda As Crianças Adultas
Depois de mais de uma década vivendo no Reino Unido, o porto-alegrense Luiz Bruno, o Lule, está de volta ao Brasil com um novo trabalho que traduz sua trajetória intensa, experimental e profundamente pessoal: o álbum “Lule & As Crianças Adultas Ao Vivo no Espaço”, gravado ao vivo com a banda As Crianças Adultas. O disco, lançado pelo selo gaúcho Tal&Tal Records, terá show de estreia no dia 28 de setembro, às 19h, no tradicional Bar Ocidente, em Porto Alegre (RS).
Figura cultuada no underground psicodélico e adepto de gravações caseiras lo-fi, Lule construiu uma discografia prolífica e totalmente disponível no Bandcamp: são nove discos, um EP e um single que rejeitam a lógica algorítmica das plataformas de streaming. Sua música é um organismo livre que funde influências que vão de Arnaldo Baptista a Sun Ra, passando por Frank Zappa, The Flaming Lips, Marcelo Birck e a trupe porto-alegrense da Graforréia Xilarmônica, cujo baterista Alexandre Birck foi responsável pela captação do novo álbum no estúdio Sangha.
O novo disco é fruto direto do retorno ao Brasil e da montagem da versão brasileira de sua antiga banda inglesa, The Adult Children. “Ano passado, logo que voltei de Londres, montei uma versão brasileira da banda. Compus duas versões em português para músicas que já estavam na minha discografia, originalmente em inglês, e depois decidimos gravar mais quatro”, relembra o artista. Gravado ao vivo, o álbum ganhou uma nova cara com o entrosamento da banda formada por Lucas Bruno, André Nectoux, André Garbini e Haroldo Paraguassú.
Com seis faixas que mergulham em camadas de psicodelia, experimentalismo e lirismo nonsense, o disco revela a maturidade criativa de um artista que encara a música como um canal espiritual. “Escuto a música dentro da minha cabeça o dia inteiro e preciso botar pra fora. Acredito que a música tem o poder de alterar a consciência das pessoas, de transformar pensamentos e quebrar a realidade”, explica.
Lule vai além: diz que seu som é “como o humor zen do Boddhidharma, ou o dadaísmo” – ferramentas para provocar, desconstruir e iluminar. “A música é o meu meio de expressar espiritualidade. O Buddha está sempre rindo”, resume.
Ouça em: https://luizbruno.bandcamp.com/album/lule-as-crian-as-adultas-ao-vivo-no-espa-o
Espiritualidade, humor e crítica social em fita cassete
Adepto de gravações analógicas em fita, com uso intenso de sintetizadores, drum machines vintage, manipulação de voz e colagens sonoras, Lule construiu uma estética própria, entre o caseiro e o cósmico. Suas letras transitam entre crítica social, sátira ao capitalismo, saúde mental, modismos superficiais e temas de autoconhecimento. Tudo isso costurado com uma assinatura sonora que desafia rótulos e rejeita as fórmulas da indústria.
“Busco fazer um som que eu nunca ouvi, que não se parece com nada que esteja na moda. Misturo efeitos, samples e sons não convencionais com humor e psicodelia. É uma grande salada, e é isso que me move.”
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Por Marina Mole – Café 8 Music

