Traste lança “Rastros, Resquícios y Otras Cositas Mas” e reafirma potência do underground mineiro
Com 13 faixas e uma sonoridade visceral que funde hardcore, punk e stoner, novo álbum da banda de Juiz de Fora é lançado pelo selo Psywar Records
A Traste acaba de lançar “Rastros, Resquícios y Otras Cositas Mas”, seu novo álbum de estúdio, pelo selo Psywar Records. Disponível a partir de 18 de julho, o disco chega como um marco na trajetória do trio mineiro, reunindo 13 faixas que representam a força crua e o amadurecimento estético da banda. Com raízes no hardcore punk e flertes com o stoner e o metal extremo, o álbum traz uma pegada suja, direta e carregada de ruído — do jeito que o underground gosta.
Gravado ao vivo no Rise Together Studio (Juiz de Fora–MG), com produção e mixagem de Tierez Oliveira e masterização internacional assinada por Chris Hanzsek (Hanzsek Audio, EUA), “Rastros, Resquícios y Otras Cositas Mas” é, segundo os próprios integrantes, o trabalho mais honesto e intenso da banda até aqui. Guitarra, baixo e bateria foram registrados simultaneamente, imprimindo ao disco a urgência e o espírito coletivo do Traste.
“De certa forma, é um apanhado de nossa história como banda. As raízes hardcore punk estão preservadas, mas com aquele flerte constante com o stoner e com sons mais extremos”, explica o vocalista Guilherme Melich.
Além das inéditas, como a carregada “Velhos Quintais”, a brutal “The Devil” e a intensa “Cabeça de Papel” (composta nos primórdios, mas só agora registrada), o álbum revisita algumas faixas de EPs anteriores em novas roupagens — casos de “Canto ao Câncer” e “Estelar” (do segundo EP), e “Raspa de Cipó” e “Tudo é Marketing” (do EP Retalhos). Com a entrada de Victor Polato na bateria, as versões ganham novos timbres e uma abordagem mais agressiva, consolidando a fase atual da banda.
Entre os destaques, os singles “MM’s”, “Sete Palmos e Meio” e a densa “Pietá” funcionam como cartões de visita do disco, que equilibra crítica social, colagens existenciais e riffs explosivos. O resultado é um retrato sonoro de três amigos canalizando frustrações e afetos em distorções, gritos e ritmos acelerados.
“É o som de três amigos bagunçando seus instrumentos e se expressando da forma mais potente que podem. Suas vivências estão presentes, suas frustrações, falhas e revolta frente às crueldades do mundo e das mazelas da existência estão presentes no disco”, complementa Guilherme.
A parceria com o selo Psywar Records marca também um novo momento para a banda:
“É nosso primeiro lançamento através do selo, que assumiu a distribuição e divulgação. Nossa intenção é lançar de forma física posteriormente… em vinil, se tudo der certo”, revela Guilherme.
Ouça “Rastros, Resquícios y Otras Cositas Mas”: https://bfan.link/rastros-resquicios-y-otras-cositas-mas
Trajetória no underground
Formada em Juiz de Fora (MG), a Traste surgiu em 2013 com Guilherme Melich (voz e guitarra) e Felipe Spinelli (baixo). Após a saída do baterista Alex Badaró, quem assumiu as baquetas foi Victor Polato, consolidando a formação atual. Desde então, a banda lançou EPs, videoclipes e um álbum compilado (3 em 1), acumulando uma discografia coerente e combativa.
Com influências que vão de Nirvana a Ratos de Porão, de GBH a Melvins, e de Black Flag a Refused, a Traste já se apresentou em palcos importantes do circuito alternativo, passando por cidades como Rio de Janeiro, Petrópolis, Belo Horizonte, Ouro Preto, Brasília e diversas outras no interior de Minas e do Rio. Também dividiram palco com nomes de peso do cenário nacional como Surra, Test, Black Pantera, Molho Negro e Sangue de Bode.
A identidade visual é outro pilar fundamental da banda: capas, vídeos e materiais promocionais são pensados e produzidos pelos próprios integrantes, reforçando o caráter “faça você mesmo” e a estética punk que move o Traste desde o início.
Com “Rastros, Resquícios y Otras Cositas Mas”, a banda reafirma sua relevância no underground brasileiro e oferece um disco barulhento, honesto e cheio de cicatrizes — como pede a tradição do bom e velho punk rock feito longe dos holofotes.
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Por Jéssica Marinho – Reverbera Music Media

