Madame Salame lança EP de estreia e injeta frescor no indie rock carioca
Power trio apresenta trabalho homônimo com cinco faixas que dialogam com o indie rock dos anos 90, brasilidade urbana e uma atitude despretensiosa, crua e direta
Formado no Rio de Janeiro em 2024, o power trio Madame Salame estreia oficialmente com o lançamento do EP “Madame Salame”, um trabalho que reafirma a vitalidade do indie rock independente ao apostar em espontaneidade, referências afetivas e uma sonoridade sem filtros. Lançado pela Efusiva Records no segundo semestre de 2025, o disco reúne cinco faixas que equilibram energia dançante, melancolia cotidiana e observação sensível do mundo real.
Com Hanna Halm no baixo e voz, Lety Lopes na guitarra e voz e Juliana Marques na bateria e voz, a banda apresenta um som cru e legítimo, onde instrumentos, palavras e interpretações aparecem como realmente são. Sem poses nem excessos, o trio aposta no frescor como linguagem e na naturalidade como estética.
Um indie rock que dança, pensa e sente
A faixa de abertura, “Decaf”, chega de mansinho e logo se transforma em um convite para dançar, com guitarras afiadas e clima de pista alternativa. O espírito leve, quase irônico, prepara o terreno para o que vem a seguir, mostrando que o EP não pretende se encaixar em fórmulas previsíveis.
Na sequência, “Zero a zero” amplia essa sensação com uma leitura bem-humorada sobre o futebol sofrido e aquela vida social que promete mais do que entrega. É indie rock com cara de cotidiano, feito para quem entende o drama nas pequenas coisas e encontra graça nelas também.
O clima muda em “Corredor de espera”, faixa que traz uma atmosfera mais introspectiva e densa. Aqui, surgem ecos da antiga banda Tuíra, projeto anterior de Hanna Halm e Juliana Marques, o que não surpreende diante da conexão emocional e estética presente na composição.
Hanna, que também vem chamando atenção na cena carioca com seu projeto solo Floppy Flipper, imprime mais uma vez sua marca autoral. Suas letras transitam entre a doçura e o peso da realidade, revelando uma escrita que sabe lidar com contrastes sem perder delicadeza.
O contraponto aparece em “Brilho intenso”, composição de Lety Lopes. A faixa explora o clássico jogo entre suavidade e peso, tão característico do indie rock dos anos 90, referência clara para a sonoridade da banda. O resultado é um equilíbrio envolvente, que alterna tensão e leveza com naturalidade.
Lety, também conhecida por seu trabalho à frente da Trash No Star e Visão Turva, reforça aqui sua identidade musical, conectando diferentes fases de sua trajetória a uma linguagem acessível e contemporânea dentro do trio.
Encerrando o EP, “DM tinta” surge como uma das faixas mais potentes do disco. A música é uma homenagem à artista do grafitti Dâmaris Felzke, falecida em 2024, que assinava suas obras como DM. A canção traduz a urgência da expressão artística em meio ao caos urbano, marcada pela efemeridade e pela força de quem deixa rastros.
É um fechamento sensível e marcante, que amplia o alcance emocional do EP e reforça o cuidado da banda com suas referências, afetos e narrativas.
Ouça agora o EP “Madame Salame”: https://tratore.ffm.to/madamesalame
Indie rock sem pose, com identidade
O nome Madame Salame reflete bem o espírito do projeto. Despretensioso, curioso e carregado de referências da cultura pop, ele remete a um mundo pré-algoritmo, onde criatividade e absurdo caminhavam juntos. Uma lembrança afetiva que dialoga diretamente com a proposta sonora do trio.
Madame Salame é indie rock animado para gente animada, mas também para quem sente, pensa e observa. Um EP para ouvir no repeat, sem culpa, sem pose e com a certeza de que, às vezes, não se levar tão a sério é o gesto mais honesto que a música pode oferecer.
Acompanhe Madame Salame nas redes:
https://instagram.com/madamesalame
https://madamesalame.bandcamp.com
Por Efusiva Records

