Foto e Arte: Thaís Zimmer Martins / Manoel Brasil sobre "Hylas e as ninfas" de John William Waterhouse
MUSICA BRASILIS

“Waterworks”: A jornada aquática, sentimental e sonora de Filipe Miu

Com vasta experiência em trilhas sonoras para o audiovisual, o artista paulista apresenta seu primeiro álbum solo autoral, unindo experimentação eletrônica, emoção e conceitos visuais fortes.

Filipe Miu é um nome conhecido nos bastidores da música brasileira, especialmente no universo das trilhas sonoras e da produção musical. Com uma trajetória sólida em projetos independentes e no audiovisual, o compositor e produtor de São Paulo dá agora um passo decisivo em sua carreira autoral com o lançamento do álbum “Waterworks”, seu primeiro trabalho solo assinado com o próprio nome.

Antes desse registro, Filipe construiu um caminho consistente em EPs e colaborações, além de integrar projetos indies como Jennifer Lo-Fi e o coletivo experimental Fragile Arm. Ao longo dos anos, também trabalhou com artistas como Emilio Mendonça, Sabine Holler, Ana Persona e Mallu Magalhães, sempre transitando entre o pop alternativo, a música experimental e a criação de atmosferas sonoras marcantes.




No campo do audiovisual, Filipe Miu acumula experiências relevantes em trilhas sonoras de séries e telenovelas brasileiras amplamente reconhecidas pela crítica. Seu trabalho pode ser ouvido em produções como Justiça, Amor de Mãe, Verdades Secretas e Órfãos da Terra, esta última vencedora do Emmy Internacional, todas produzidas pela Rede Globo.

Além da televisão, o compositor também assinou trilhas para longas-metragens como Bellini e o Demônio, Cabeça a Prêmio, Espaços de Fronteira e Mundo da Vida. Essa vivência entre imagem e som influencia diretamente a construção narrativa de “Waterworks”, que soa quase como uma sequência de paisagens emocionais em movimento.

Ouça agora “Waterworks”: https://tratore.ffm.to/waterworks

Um álbum fluido, experimental e profundamente emocional

O título “Waterworks” carrega múltiplos significados. O termo remete tanto ao sistema de abastecimento de água quanto à expressão usada para descrever um choro excessivo ou emocionalmente carregado. Essa ambiguidade dialoga com a proposta do disco, que aposta em ideias sonoras fluidas, aquáticas e sensoriais.

Ao longo das oito faixas, o álbum apresenta atmosferas eletrônicas experimentais, onde ritmos orgânicos se misturam a sons digitais, synths envolventes, piano delicado e momentos percussivos que surgem de forma quase intuitiva. O registro nasce de um período difícil vivido pelo artista, transformando experiências pessoais em composições densas, sensíveis e cheias de nuances.

Arte, mito e tecnologia em diálogo

Outro destaque de “Waterworks” está em sua capa. Inspirada no mito de Hylas, a arte retrata o instante que antecede o jovem ser capturado e morto pelas ninfas na mitologia grega. A imagem original, uma pintura do século XIX, foi reinterpretada pelo artista visual Manoel Brasil, que inseriu elementos tecnológicos na cena.

Esses objetos criam um contraste direto entre passado e presente, sugerindo como as tecnologias que prometem conexão acabam, muitas vezes, reforçando distâncias. A escolha estética dialoga com o conceito do disco, ampliando a experiência para além do som e convidando o ouvinte a uma reflexão visual e simbólica.

Um mergulho autoral já disponível

Com “Waterworks”, Filipe Miu apresenta um trabalho maduro, autoral e coeso, que sintetiza anos de vivência na música independente e no audiovisual. O álbum já está disponível em todas as plataformas de streaming e se destaca como um convite ao mergulho em paisagens sonoras profundas, emocionais e cuidadosamente construídas.

Para quem acompanha a cena experimental brasileira ou busca discos que fogem do óbvio, “Waterworks” surge como uma obra sensível, atual e profundamente conectada às emoções do nosso tempo.

Por Hominis Dissemina

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Neder de Paula

Neder de Paula

Neder é fundador, CEO do portal e web rádio OverRocks. Designer, webdesigner, videomaker, apaixonado pela família, quadrinhos, cinema, tv, UCM, DCU, metalhead desde os 12 anos e curador musical na Divulguei e Groover.

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