CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos faz curta temporada na sede da Cia. de Teatro Heliópolis
Montagem premiada retorna aos palcos entre fevereiro e março de 2026, no Ipiranga, abordando o encarceramento a partir da força e da resistência feminina
A Companhia de Teatro Heliópolis volta ao cartaz com “CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos”, espetáculo premiado com encenação de Miguel Rocha e texto de Dione Carlos. A curta temporada acontece de 19 de fevereiro a 01 de março de 2026, na Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. As sessões ocorrem de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 18h.
Reconhecida como uma das montagens mais relevantes do teatro brasileiro recente, a obra retoma sua trajetória nos palcos em um momento em que o debate sobre encarceramento em massa, desigualdade social e violência estrutural segue urgente. A encenação propõe um olhar sensível, crítico e profundamente humano sobre as marcas deixadas pelo sistema prisional, sobretudo na vida das mulheres.
Uma narrativa atravessada pelo cárcere e pela ausência
O enredo parte da história das irmãs Maria dos Prazeres e Maria das Dores, cujas vidas são atravessadas pelo encarceramento sucessivo dos homens da família. Primeiro o pai, depois o companheiro de uma delas e, agora, o filho da outra. Essa repetição revela um ciclo difícil de romper, no qual o cárcere extrapola os muros da prisão e se infiltra no cotidiano das comunidades periféricas.
Dentro do presídio, o jovem Gabriel, que sonha em ser desenhista, precisa aprender rapidamente estratégias de sobrevivência para lidar com as disputas internas de poder e com a falta de perspectivas. Nesse microcosmo violento, não há espaço para fragilidade ou rebeldia, e o futuro parece sempre suspenso.
Mulheres que resistem fora dos muros
Fora do sistema prisional, são as mulheres que sustentam, emocional e materialmente, as estruturas que seguem funcionando apesar da ausência dos homens. Mães, esposas, filhas e afilhadas buscam alternativas para romper ciclos de opressão que as mantêm presas a existências marcadas pela escassez e pela espera.
Enquanto uma das irmãs enfrenta o sistema jurídico para provar a inocência do filho preso injustamente, lutando também pela sobrevivência da família, a outra permanece refém de um ex-companheiro encarcerado, obrigada a garantir suporte dentro do presídio e privada do direito de reconstruir sua própria vida afetiva. Ambas enfrentam um percurso espinhoso, marcado por escolhas duras e limites impostos por uma estrutura que insiste em se repetir.
Ancestralidade como força de ruptura
A montagem também se apoia nos saberes ancestrais como elemento de resistência. As heranças culturais africanas atravessam a narrativa como potência simbólica e espiritual, reafirmando que esses conhecimentos sobreviveram à violência da escravidão e seguem vivos nos corpos, nas vozes e nas crenças de seus descendentes.
Nesse contexto, Iansã, Rainha Oyá, orixá dos ventos, das tempestades e do fogo, surge como figura central de proteção e inspiração. A presença da deusa guerreira ilumina caminhos possíveis e alimenta fabulações de liberdade, reforçando a ideia de que, mesmo diante da barbárie, a imaginação e a ancestralidade seguem sendo ferramentas de enfrentamento.
Reconhecimento e apoio institucional
Em 2022, “CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos” conquistou o Prêmio APCA nas categorias Dramaturgia e indicação em Direção, o Prêmio Shell de Teatro em Dramaturgia e Música, além de indicação em Direção, e o VI Prêmio Leda Maria Martins, voltado à ancestralidade. O espetáculo também figurou entre os Melhores do Ano pela Folha de S.Paulo, consolidando seu impacto artístico e político.
Esta temporada conta com o apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa e do Governo do Estado de São Paulo, reafirmando a importância de políticas públicas que garantam espaço para obras comprometidas com reflexão social, memória e transformação.
Serviço
CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos
Temporada: 19 de fevereiro a 01 de março 2026
Horários: quinta, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 18h.
Ingressos: Gratuitos – Bilheteria:1h antes das sessões.
Reservas antecipadas: www.sympla.com.br
Duração: 120 min. Classificação: 12 anos. Gênero: Experimental.
Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1.533 – Ipiranga. São Paulo/SP.
Tel.: (11) 2060-0318 (WhatsApp).
Transporte público: Metrô e Terminal de ônibus Sacomã.
Instagram: @ciadeteatroheliopolis | Facebook: @companhiadeteatro.heliopolis
Por Eliane Verbena – Verbena Assessoria

