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Living Colour volta a Curitiba como referência formadora de músicos e produtores brasileiros

Show acontece no dia 1º de março, na Live Curitiba; integrantes do Macumbazilla, Black Pantera, Sr. Banana e Machete Bomb relatam como a banda redefiniu caminhos estéticos e profissionais

No final dos anos 1980, quando o rock ainda operava em compartimentos relativamente estanques, uma banda de Nova York começou a cruzar fronteiras sonoras de forma radical. Misturando metal, funk, soul, jazz, hardcore e rock alternativo, o Living Colour construiu uma identidade que escapava de classificações fáceis e, ao mesmo tempo, influenciou gerações de músicos ao redor do mundo.

No dia 1º de março, o grupo retorna a Curitiba para um show na Live Curitiba. Para além do peso histórico, a apresentação reacende a memória de uma banda que teve papel decisivo na formação artística de músicos brasileiros que hoje atuam como intérpretes, produtores e articuladores da cena independente e underground.




Uma referência que abriu horizontes

“Se não existisse o Living Colour, provavelmente eu não seria músico.” A afirmação é de André Nisgoski, vocalista e guitarrista do Macumbazilla, produtor musical e um dos nomes ativos da cena alternativa do Sul do Brasil. O primeiro contato veio ainda no início dos anos 1990, quando ele aprendia a tocar baixo e tinha referências quase exclusivamente ligadas ao metal.

“Eu era Iron Maiden, Sepultura, Metallica, Chili Peppers. O Living Colour abriu todo um leque novo pra mim”, relata. O impacto veio a partir do álbum “Time’s Up” (1990). “Mudou minha visão de rítmica, de construção musical e até de melodias vocais. Talvez eu tivesse ficado só no metal. Talvez eu nem tocasse mais hoje.”

Para Nisgoski, o vocalista Corey Glover ocupa um lugar singular na história do rock. “Na minha opinião, ele é o melhor vocalista do mundo. Sem sombra de dúvidas”, afirma. “A banda inteira é fenomenal, mas a forma como ele canta me abriu para outra percepção musical que eu uso até hoje.”

O rock como lugar possível

Se musicalmente o impacto é profundo, no campo simbólico ele se torna definitivo. Para Charles Gama, vocalista e guitarrista do Black Pantera, o Living Colour representou algo ainda mais essencial: a possibilidade de se enxergar dentro do rock.

“Eu cresci gostando de rock, punk, hardcore, metal, mas sempre com pouca representatividade”, conta. “Até o dia em que um amigo chegou com um disco do Living Colour e disse: ‘é uma banda só de pretos, você vai gostar’. Aquilo abriu minha mente de forma esplêndida.”

Mais do que excelência musical, o reconhecimento foi determinante. “Eram quatro caras pretos fazendo rock de primeira, com classe, com identidade. Isso moldou tudo. O Black Pantera nasceu porque eu ouvi Living Colour e consegui levar isso para os outros.”

Essa relação extrapolou o simbólico. Em 2022, o Black Pantera tocou com o Living Colour, o que resultou em convites para abrir shows no Brasil, encontros em ensaios e até uma homenagem no palco, quando a banda americana tocou “Type” em referência ao grupo mineiro. “Foi a plenitude total. Você passa a vida perseguindo um sonho e, de repente, está ali, lado a lado com quem te inspirou”, diz Charles.

Influência além do som

A importância do Living Colour também é destacada pelo produtor e músico Bruno Gomes, que integrou bandas como Sr. Banana e a extinta Boi Mamão. Ele conheceu o grupo ainda na adolescência, entre 1989 e 1990, quando já tocava profissionalmente.

“Eles apareceram com algo totalmente novo, inusitado, diferente do que era apresentado na época”, afirma. “Não era só o som, mas a estética e, principalmente, a atitude. Sempre acreditaram no que faziam, na ideologia, e seguiram em frente apesar das dificuldades.”

Gomes lembra do contexto adverso enfrentado pela banda em Nova York nos anos 1980. “Eles saíram de um cenário difícil, se impuseram e mostraram a cara pro mundo. Estão aí até hoje, com mais de 40 anos de banda.”

Para ele, a força do Living Colour está justamente na soma entre postura e linguagem musical. “Essa mistura de metal, funk, rock pesado, soul, hip hop e jazz criou uma estética própria, que inspirou muita gente e muitas bandas que vieram depois.”

Expansão e legado

Outro ponto ressaltado por Gomes é a capacidade do Living Colour de extrapolar os limites do rock. “O som transcendeu. Os integrantes têm participações com artistas como Mick Jagger, Madonna, Seal, Billy Idol, além de trabalhos no cinema, como no caso do Corey Glover”, observa.

Essa expansão ajudou a consolidar o grupo como referência não apenas musical, mas cultural. “É uma banda que influencia pela personalidade forte, pela coerência e pela longevidade.”

Técnica, efeitos e inovação

Para Otávio Madureira, músico, produtor, proprietário do Rec’n’Roll Recording Studio e líder da banda Machete Bomb, o Living Colour ocupa um lugar central também no campo técnico e sonoro.

“Como adorador de pedais e efeitos, não posso perder um show do Living Colour de jeito nenhum”, afirma. “O Vernon Reid é o maior mestre dos efeitos e pedais de guitarra. Além do bom gosto, ele é um gênio da composição e um virtuose de altíssima qualidade.”

Segundo Madureira, a abordagem de Reid influenciou diretamente gerações de guitarristas interessados em expandir o vocabulário do instrumento para além do tradicional.

Ao vivo, uma experiência singular

Em 2024, André Nisgoski integrou a equipe da turnê do Living Colour pela América do Sul, experiência que reforçou a admiração construída ao longo dos anos. “Eles são únicos na qualidade de execução musical ao vivo. Cada show tem nuances próprias, cheias de identidade”, diz. “Apresentam um vigor incomum e entregam tudo.”

Além da performance, o músico destaca o aspecto humano. “São humildes, queridos. No caso do Living Colour, vale a pena conhecer seus ídolos.”

No último show da turnê, na Argentina, Nisgoski levou o encarte original de “Time’s Up” para ser autografado. “Falei pra eles que era muito fã da banda. Fingir que não conhecia foi a parte mais difícil da turnê.”

Um show para quem ama música

Para Bruno Gomes, a passagem do Living Colour por Curitiba tem um peso especial. “Ter a chance de ver o Living Colour aqui, no quintal de casa, é realmente imperdível”, afirma. “Poder presenciar músicas como Cult of Personality, Time’s Up e Little Man ao vivo é uma oportunidade única. É um show para quem ama música de verdade.”

Serviço

Living Colour em Curitiba
Local: Live Curitiba
Data: 1º de março
Ingressos:
https://bilheteriadigital.com/living-colour-01-de-marco

https://instagram.com/handmade.customshop

Por Daniela Farah – Girls Rock Inc

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Neder de Paula

Neder de Paula

Neder é fundador, CEO do portal e web rádio OverRocks. Designer, webdesigner, videomaker, apaixonado pela família, quadrinhos, cinema, tv, UCM, DCU, metalhead desde os 12 anos e curador musical na Divulguei e Groover.

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