Siso lança “O Tombo”, último single antes do álbum “Ferro e Fogo”, e transforma memória familiar em reflexão sobre resiliência
Faixa inédita chega acompanhada de videoclipe dirigido por Tatyana Schardong e antecipa o lançamento do novo disco, previsto para 4 de março
Após apresentar “Sabiá Sabiá”, em parceria com Tiê, e “Quebra-Mundo”, composta ao lado de Luiza Brina, Siso dá mais um passo firme rumo ao seu novo álbum de estúdio com o lançamento de “O Tombo”. A canção, de pegada indie-pop, traz arranjos marcados por órgão, bateria e corais, ampliando o espectro sonoro do artista mineiro neste ciclo criativo.
Último single antes da chegada completa de “Ferro e Fogo”, o lançamento funciona como ponto de convergência estética e conceitual do disco, que reunirá nove faixas autorais e será disponibilizado integralmente no dia 4 de março.
Resiliência como herança e narrativa
Em “O Tombo”, Siso parte de uma história real vivida por seu avô Evaristo, transformada ao longo dos anos em uma espécie de mito familiar. Ainda jovem, no interior da Paraíba, Evaristo sofreu uma queda na mata e perdeu a memória por sete anos. O episódio ganha contornos ainda mais simbólicos quando, após outro tombo acidental, ele recupera subitamente as lembranças perdidas.
A memória familiar se torna, na canção, uma metáfora potente sobre quedas e reerguimentos, tanto no sentido literal quanto no emocional. Para Siso, essas narrativas atravessam sua trajetória pessoal e artística, dialogando diretamente com a ideia de resiliência presente em sua obra e com a experiência de fazer arte de forma independente no Brasil.
Faça a pre-save e ouça “O Tombo”: https://tratore.ffm.to/sisootombo
O videoclipe como peregrinação simbólica
Dirigido por Tatyana Schardong, o videoclipe de “O Tombo” traduz visualmente essa carga simbólica por meio de uma caminhada peregrina pelas ruas do Rio de Janeiro. Siso carrega um cesto de maçãs, que representam tanto o peso do conhecimento quanto os “pecados” herdados das gerações anteriores.
A ideia inicial era encerrar o percurso na Igreja da Glória, como um gesto de redenção. No entanto, ao encontrar o local fechado no dia da gravação, a equipe incorporou o imprevisto à narrativa, reforçando o caráter humano e imperfeito da busca espiritual e existencial proposta pela obra.
Corpo, esforço e negação como linguagem visual
Segundo Tatyana Schardong, a intenção foi criar uma narrativa física, conectada diretamente à letra e ao ritmo da música. O clipe explora o cansaço, as pausas e a persistência do corpo em movimento, alternando enquadramentos que ressaltam tanto a vulnerabilidade quanto a força do artista.
A ação de comer, derrubar e recolher as maçãs sintetiza esse arco narrativo. Primeiro como integração do conhecimento e da sombra ancestral, depois como gesto de revolta diante da negação, e por fim como acolhimento de tudo aquilo que se carrega ao longo da vida.
Um fechamento de ciclo antes do álbum
Com “O Tombo”, Siso encerra uma sequência de singles que marcou sua retomada criativa e o reencontro com o público. As faixas lançadas até aqui revelam diferentes facetas do artista, da leveza melódica ao polirritmo, preparando o terreno para a escuta completa de “Ferro e Fogo”.
Ao equilibrar memória, identidade e experimentação sonora, Siso constrói um trabalho que dialoga tanto com novos ouvintes quanto com quem acompanha sua trajetória, consolidando este momento como um dos mais consistentes e pessoais de sua carreira.
Acompanhe e ouça Siso nas redes:
https://linktr.ee/sisosisosisosiso
Por Flora Miguel – Da Lira Cultural

