Curte esse clássico? Então você precisa ouvir essa banda brasileira [Modern/Groove/Alternative Metal]
Aproveitando uma trend que ganhou força nas redes sociais — onde artistas independentes são recomendados com base em semelhanças sonoras ou temáticas com bandas mainstream — iniciamos esta nova sessão aqui no site da OverRocks. Nosso objetivo é destacar bandas brasileiras que podem agradar quem procura por trabalhos similares aos seus álbuns favoritos de Rock e Heavy Metal.
Na seleção de hoje, reunimos 10 bandas nacionais que certamente vão chamar a atenção dos fãs de Metal Moderno, Groove Metal, Metal Alternativo e Metalcore. Embora muitas das referências desse universo tenham surgido após os anos 2000, diversos discos já são considerados clássicos contemporâneos. E acredite: várias bandas brasileiras entregam produções que não ficam devendo em nada aos grandes nomes internacionais.
Então: Se você curte esse clássico? Então você precisa ouvir essa banda brasileira. Confira uma música de cada uma das 20 bandas citadas na nossa playlist:
Se você curte o disco “Homesick”, da banda americana A Day To Remember, ouça também a banda brasileira Project46.
A banda americana A Day To Remember é, sem dúvida, um dos grandes fenômenos da música pesada contemporânea. Sua sonoridade, pautada por breakdowns avassaladores e linhas melódicas carregadas de feeling em meio ao peso das composições, permite que o grupo atenda tanto quem curte um som mais agressivo quanto quem busca algo mais acessível. Seguindo uma linha semelhante, a banda brasileira Project46 vem trilhando esse caminho com absoluto sucesso, conquistando o posto de uma das mais respeitadas do cenário nacional. Sua sonoridade soube se moldar às exigências do mercado sem jamais comprometer a essência artística da banda. Mesmo com grande parte de suas músicas cantadas em português, o impacto, a qualidade das produções e a força de suas performances ao vivo colocam o Project46 entre os nomes mais respeitados do Brasil — inclusive no exterior. Sua sonoridade dinâmica é ao mesmo tempo explosiva e cativante, com elementos sutis de ritmos brasileiros que tornam sua identidade ainda mais marcante.
Se você curte o disco “The Fall of Ideals”, da banda americana All That Remains, ouça também a banda brasileira John Wayne.
Mesclando elementos de Metalcore e Melodic Death Metal, a banda americana All That Remains alcançou seu auge em 2006 com o lançamento de “The Fall of Ideals”. O álbum se destacou por equilibrar agressividade e melodia, criando momentos de alívio em meio à brutalidade sonora. Essa fórmula também se faz presente na sonoridade da banda brasileira John Wayne, que, ao longo dos anos, vem aprimorando sua proposta musical. O quinteto paulista tem incorporado novos elementos ao seu som, tornando sua identidade artística cada vez mais versátil, interessante e em constante evolução. Suas letras são um destaque à parte, com mensagens urgentes e fundamentais sobre diversas questões do nosso tempo.
Se você curte o disco “Sacrament”, da banda americana Lamb of God, ouça também a banda brasileira Fourkaos.
O Lamb of God é um dos pilares do Groove Metal e uma influência marcante para a banda paraibana Fourkaos. Embora “Sacrament” seja considerado o grande clássico dos norte-americanos, a Fourkaos absorve referências de diversas fases da carreira da banda, imprimindo sua própria identidade em composições sofisticadas e modernas, que se destacam pelo peso implacável, estruturas pouco convencionais, melodias marcantes e letras carregadas de significado e profundidade.
Se você curte o disco “From Death To Destiny”, da banda britânica Asking Alexandria, ouça também a banda brasileira Axty.
A banda britânica, originalmente formada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, Asking Alexandria, aposta em uma sonoridade que combina o peso do metalcore com texturas eletrônicas proporcionadas por sintetizadores, criando camadas sonoras que intensificam o dinamismo e a dramaticidade das composições. De forma semelhante, a banda brasileira Axty vem se destacando por antecipar a evolução do mercado internacional e sua influência no cenário nacional. Com músicas modernas, repletas de elementos do djent e outras vertentes contemporâneas do metal, a Axty entrega composições e produções que dialogam com grandes nomes do gênero, como Sleep Token, I Prevail, We Came As Romans e o próprio Asking Alexandria.
Se você curte o disco “One Day Remains”, da banda americana Alter Bridge, ouça também a banda brasileira Orizzon.
Frequentemente descrita como uma banda de metal alternativo e post-grunge, diretamente influenciada pela cena da música pesada dos anos 90, o Alter Bridge se consolidou como um dos maiores nomes do rock nos anos 2000, com seus dois primeiros álbuns sendo reconhecidos como verdadeiros clássicos contemporâneos. Seguindo uma proposta similar, a banda paulista Orizzon herdou o refinamento emocional, melódico e técnico dos americanos, demonstrando em seu álbum de estreia, “Inner”, a capacidade de criar composições pesadas e envolventes que combinam a força e agressividade do hard rock com melodias elaboradas típicas do metal moderno. Assim como o quarteto liderado por Myles Kennedy e Mark Tremonti, as letras da Orizzon abordam temas como superação, esperança, conflitos internos e emoções profundas, conferindo uma carga emocional intensa às suas músicas.
Se você curte o disco “Nightmare”, da banda americana Avenged Sevenfold, ouça também a banda brasileira Overtop.
Os americanos do Avenged Sevenfold — que se apresentam no Brasil em outubro — se consolidaram como um dos maiores fenômenos do metal dos anos 2000. Com uma sonoridade repleta de profundidade e dramaticidade, sua música é difícil de rotular, pois funde elementos de hard rock, metalcore, metal progressivo e metal alternativo, mantendo, contudo, uma identidade marcante e única em todas as suas composições. Navegando nesse mesmo horizonte de possibilidades do metal contemporâneo, destaca-se a banda brasileira Overtop, que lançou em 2024 seu álbum de estreia. O disco traz composições que combinam com maestria o old school e o moderno, resultando em uma sonoridade capaz de agradar tanto aos fãs do metal clássico quanto àqueles que acompanham as novas vertentes do gênero a partir da virada do século.
Se você curte o disco “Dead Heart In a Dead World”, da banda americana Nevermore, ouça também a banda brasileira Ambivalentt.
Inspirados pelo Nevermore até mesmo no nome — uma referência direta à faixa “Ambivalent”, do aclamado álbum “Enemies of Reality” — os brasileiros do Ambivalentt assumem de forma explícita a influência da icônica banda de Seattle em sua proposta artística. Essa herança se manifesta não apenas na sonoridade pesada e sofisticada, mas também na abordagem dramática, filosófica, densa e emocionalmente intensa com que constroem suas composições. Assim como o Nevermore, o Ambivalentt busca transcender rótulos, criando músicas marcantes e grandiosas, com letras que exploram os dilemas da existência humana, conflitos internos e visões sombrias do mundo moderno – tudo isso envolto em arranjos que combinam técnica apurada, atmosferas melancólicas e uma expressividade visceral.
Se você curte o disco “From Mars to Sirius”, da banda francesa Gojira, ouça também a banda brasileira Humanal.
O Gojira se consolidou como uma das maiores bandas de Metal da atualidade, não apenas pelo impacto de sua sonoridade poderosa, mas por sua postura artística que desafia as tendências imediatistas e superficiais amplificadas pelas redes sociais. Em vez de seguir fórmulas prontas, os franceses apostam em composições densas, profundas e conceitualmente ricas, onde a dramaticidade do Metal Progressivo, a brutalidade do Death Metal e o vanguardismo do Metal Moderno se fundem em uma identidade única. Seguindo uma linha semelhante de intensidade artística e profundidade emocional, a banda curitibana Humanal apresenta uma proposta que, embora mais orientada para o Groove Metal, carrega a mesma preocupação em criar músicas complexas, agressivas e profundas. O quinteto brasileiro se destaca pela capacidade de equilibrar peso e reflexão, construindo faixas que são ao mesmo tempo catárticas e introspectivas, com arranjos envolventes, letras instigantes e uma pegada rítmica marcada por dinamismo e densidade sonora.
Se você curte o disco “Constellations”, da banda americana August Burns Red, ouça também a banda brasileira Cais.
Quando surgiu no início dos anos 2000, o August Burns Red rapidamente se destacou por preencher uma lacuna no universo da música pesada: a de uma banda que unia agressividade sonora, complexidade técnica e uma mensagem lírica profunda, voltada à espiritualidade, à superação pessoal e à reflexão existencial. Fugindo do niilismo muitas vezes associado ao Metalcore, o grupo norte-americano criou uma identidade única, capaz de dialogar com ouvintes que buscavam mais conexão emocional e propósito no Metal. Essa abordagem se transformou em uma verdadeira tendência global, encontrando ecos até mesmo no Brasil. É nesse mesmo espírito que a banda paraibana Cais vem se consolidando. Com composições modernas, pesadas e cativantes, o grupo imprime sua própria visão artística ao unir a potência do Metal contemporâneo a uma mensagem de fé e esperança. Assim como o August Burns Red, a Cais entende que peso e espiritualidade não são opostos, mas sim forças complementares capazes de tocar, transformar e elevar.
Se você curte o disco “Lapadas do Povo”, dos Raimundos, ouça também o Muqueta na Oreia.
Sim, nós sabemos: Raimundos não é Metal — mas em “Lapadas do Povo”, o quarteto brasiliense cruzou territórios que dialogam diretamente com o que havia de mais agressivo no Metal e no Hardcore dos anos 90. O álbum trouxe uma sonoridade visceral e avassaladora, flertando abertamente com referências como Pantera e Sepultura, sem necessariamente abrir mão da sua verdadeira personalidade. Dentro dessa mesma abordagem marcada por peso, atitude e irreverência, o Muqueta na Oreia surgiu nos anos 2000 quase como um herdeiro natural dos Raimundos. A banda vem ocupando com força um espaço que muitos fãs sentiram vago desde que os Raimundos perderam o rumo da própria identidade. Com uma atitude igualmente ácida, intensa e combativa, mas revestida de brasilidade, consciência social e um senso de urgência contemporâneo, o Muqueta se posiciona como um sucessor legítimo daquele Rock Pesado com sotaque nacional, que sabe ser crítico, provocador e, acima de tudo, autêntico.

