15 Singles imperdíveis do underground nacional lançados em 2025
Ano após ano, o formato de singles ganha cada vez mais relevância no mercado da música. Além de servirem como prévias de trabalhos mais extensos, como EPs e álbuns, eles também mantêm o público engajado durante os intervalos entre lançamentos completos, ampliando a expectativa e o interesse pelos próximos passos da banda.
Em 2025, diversas bandas brasileiras já fizeram lançamentos marcantes nesse formato e vem se destacando por suas ações estratégicas no mercado da música, mas sobretudo pela qualidade de sua obra. Na matéria a seguir, reunimos 15 desses singles, dentre tantos outros trabalhos notáveis que vêm surgindo no país, que atestam a força e a diversidade da cena nacional no Rock e no Heavy Metal. Confira:
Black Pantera – “Seleção Natural”
O Black Pantera dá passos largos rumo ao mainstream, mas suas origens no underground mantém seu propósito artístico intacto, permitindo que sua música chegue cada vez a mais pessoas, mas sua mensagem e sua obra permaneçam fiéis e irredutíveis. Depois de lançar o aclamado álbum “Perpétuo”, a missão de seguir surpreendendo tornou-se ainda mais difícil, mas o trio mineiro é incansável e e com o single “Seleção Natural” mostra que não há limites para sua capacidade criativa. Com um peso avassalador, a música mostra que a banda segue afiada mesmo após parecer teu chegado ao seu auge, provando, na verdade, que isso é apenas o começo.
BlüdRaven – “ICKY”
Cada novo single apresentado pela BlüdRaven surpreende pela capacidade da banda em reafirmar sua identidade artística, ainda que cada uma de suas músicas tenha sua própria personalidade e aponte para diferentes direcionamentos. Sua estreia com “Broken Vows” veio amparada por uma estética mais épica e grandiosa, já “Aerys” apresentou uma abordagem pesada e agressiva, enquanto a faixa que carrega o nome da banda soa ao mesmo tempo comovente, moderna e avassaladora, mas é em “ICKY” que a BlüdRaven chega a seu ápice. Mesmo apresentando uma proposta mais contemporânea do que aquele que parecia ser o caminho original de sua obra, “ICKY” parece ser exatamente o destino que a música da banda buscava chegar e, consequentemente, seu ápice, pelo menos até agora.
Bizarre Bathtub Battle – “Xpace Invaders”
“Bizarro” poderia ser um adjetivo justo para descrever a música do Bizarre Bathtub Battle, mas talvez “audacioso” e “surpreendente” traduzam melhor a mistura improvável e instigante de elementos que compõem sua obra. Em “Xpace Invaders”, não há espaço para rótulos, os gêneros se dissolvem diante da sagacidade com que a banda constrói cada detalhe da composição. O resultado é uma sonoridade autêntica, onde cada elemento parece estar exatamente no lugar certo, ainda que tudo pareça fugir do óbvio. Do Jazz ao Metal extremo, o Bizarre Bathtub Battle mostra que não existem limites para a sua música.
Cais – “Montaria de Otário”
A cada novo lançamento, a banda paraibana Cais parece determinada a soar ainda mais pesada. Seja pela força de suas composições ou pela contundência de suas mensagens, é impossível passar incólume diante de sua obra. Em “Montaria de Otário”, o grupo flerta com o Djent, o Metal Extremo e o Metalcore, mas sempre sob sua própria ótica, o que lhe confere uma identidade única em meio a um cenário contemporâneo que, muitas vezes, soa cada vez mais genérico.
Crônica Ativa – “AQUI”
Com uma trajetória que vem sendo construída há cerca de uma década, a Crônica Ativa parece ter chegado ao ápice de sua maturidade com o single “AQUI”, mas ele representa apenas o primeiro capítulo de um novo álbum que está por vir, o que aumenta as expectativas dos fãs e atrai a atenção de um público ainda mais amplo, visto que a cada nova composição a banda consegue soar mais cativante, embora o peso de sua obra seja cada vez mais avassalador. Talvez o grande segredo para a conexão com os sentimentos das pessoas encontrado pela banda seja a verdade que suas músicas transmitem, mas é a forma que o grupo se expressa através de sua arte lhes confere uma capacidade catártica de expurgar todo e qualquer sentimento de angústia e aflição. O resultado é de lavar a alma!
Desert Voices – “I Will Rise”
Em um tempo em que o Metal busca, cada vez mais, incorporar elementos externos para capturar a atenção do público, a Desert Voices já havia se destacado com seu álbum de estreia ao demonstrar que é possível expressar arte através do mais puro Heavy Metal. Essa identidade se reafirma com os novos singles lançados em 2025, três anos após o primeiro disco. A autenticidade e o caráter orgânico de sua sonoridade bastam para provar que a verdadeira arte está em transmitir a essência de quem a cria. É justamente essa honestidade, aliada à forte personalidade, que pavimenta o caminho da Desert Voices rumo a patamares cada vez mais altos.
Hatefulmurder – “My Oath”
Mesmo após uma mudança significativa em sua formação, com a saída da vocalista Angélica Burns e a chegada de Giulia Roiz, o Hatefulmurder reafirma por que é um dos grandes destaques do underground nacional. A banda segue imprimindo cada vez mais personalidade e profundidade em sua obra, sem perder a identidade que a caracteriza desde o início. Sua sonoridade, agora mais madura do que nunca, parece ter atingido um ponto de equilíbrio perfeito: o peso avassalador do Metal Extremo se une a uma proposta mais acessível, capaz de ampliar horizontes e conquistar novos públicos. “My Oath”, a faixa que apresenta essa nova fase da banda, consegue soar ao mesmo tempo comovente e visceral, validando a poderosa capacidade artística do grupo
Ingrime – “Utopia”
A Ingrime é daquelas bandas que, se o mercado olhasse com mais atenção para o underground, encontraria uma verdadeira pérola. O trio de Marília consegue soar profundamente artístico, transmitir mensagens urgentes e comoventes sobre os sentimentos humanos, e ainda assim apresentar uma abordagem comercialmente viável, embora isso nunca tenha sido o foco da banda. Se o álbum de estreia parecia marcar o ápice do grupo, os singles lançados em seguida mostram que eles estão apenas no início de uma jornada rumo ao topo. E torcemos para que o mundo inteiro os descubra ao longo dessa ascensão.
Inraza – “A Loner”
Desde que Fernanda Souza assumiu os vocais da Inraza, a banda vem conquistando novos patamares de reconhecimento, graças ao carisma e talento da vocalista, somados à potência do grupo que a acompanha. O single “A Loner” demorou a chegar, mas a espera valeu cada minuto, elevando as expectativas pelo que ainda está por vir a níveis quase incontroláveis. A faixa funciona como um cartão de visitas atordoante, prenunciando um álbum que, sem sombra de dúvidas, promete ser devastador.
Leandro Abrantes – “Chrono Vapópirum ΔT”
A capacidade de contar histórias de forma absolutamente cativante é um talento raro, independentemente do meio escolhido. Alguns optam por narrativas textuais, outros exploram caminhos visuais, alguns se dedicam à música, e ainda há artistas como Leandro Abrantes, que trilham todos esses caminhos ao mesmo tempo. “Chrono Vapópirum ΔT” marca o primeiro single da carreira solo do músico e compositor, que assume sozinho toda a criação e a maior parte da produção do projeto, lançado simultaneamente como música e história em quadrinhos. O resultado é fascinante, uma prova do poder da arte de se reinventar em múltiplas perspectivas, conectando-se com as pessoas de formas distintas e atingindo seu propósito mais profundo: entreter, comover e arrepiar. Muito além de apenas refletir a personalidade de seu criador, “Chrono Vapópirum ΔT” é uma confirmação de que a arte é alimento da alma.
Mafra – “New Friend”
Ana Clara Mafra, apesar de muito jovem, está há bastante tempo construindo sua carreira na música à custa de muito esforço e talento. A cada novo lançamento, revelamos uma faceta surpreendente da artista, e em “New Friend” sua criatividade se destaca plenamente. A composição é ao mesmo tempo única em relação a tudo que ela lançou anteriormente e, ainda assim, profundamente marcada por sua personalidade, tornando impossível não reconhecer Mafra em cada passagem, arranjo ou detalhe. Além disso, sua consciência sobre a importância de trabalhar com músicos competentes permite que ela execute sua arte da forma mais precisa e impactante possível, transformando suas ideias em experiências completas e cativantes.
Mortticia – “Mistakes”
A banda gaúcha Mortticia é um dos grandes expoentes no Brasil de uma vertente do Metal que vem conquistando cada vez mais espaço: a NWOTHM, ou Nova Onda do Heavy Metal Tradicional. Enquanto muitas bandas, especialmente no metal contemporâneo, buscam incorporar elementos externos ao gênero, muitas vezes em busca de aceitação, a NWOTHM resgata a essência do Metal, mas sem se limitar a repetir fórmulas antigas. O objetivo é escrever novos capítulos de uma história que muitos julgavam prestes a se encerrar. Bandas como a Mortticia provam que o Heavy Metal jamais vai acabar, seja por meio de composições avassaladoras que nos deixam atônitos e eletrizados, ou por baladas comoventes e envolventes, como a recém-lançada “Mistakes”.
Norte Cartel – “Tempo Bom”
O Turnstile é a prova definitiva de que o Hardcore vive novamente um de seus ápices. No Brasil, porém, o gênero parece nunca ter esfriado, e bandas como o Norte Cartel têm papel fundamental em manter essa chama acesa. Imparáveis desde 2006, eles lançaram em 2025 o primeiro single do que será seu novo álbum de estúdio. “Tempo Bom” é um exemplo perfeito do porquê a banda figura entre os maiores nomes do underground brasileiro há quase duas décadas. Seriedade e irreverência caminham lado a lado no som do Norte Cartel, assim como o profissionalismo de um trabalho primorosamente produzido se alia à crueza de uma banda absolutamente orgânica.
Ossos Cruzados – “Tripas”
A banda Ossos Cruzados já se consolidou como uma verdadeira entidade do underground brasileiro. O grupo paulista domina com maestria a arte de unir estética, música e imagem, dando vida a histórias de horror por meio de composições avassaladoras. À medida que seu som se torna cada vez mais extremo, a banda também flerta com abordagens modernas, conquistando e conectando um público cada vez mais amplo com sua obra, assim, “Tripas” consegue ser ao mesmo tempo uma de suas músicas mais agressivas, mas ainda assim mais acessíveis.
Santa Cora – “Ancient Road”
A Santa Cora já havia mostrado sua capacidade de criar músicas épicas em seu álbum de estreia, mas “Ancient Road”, o primeiro single do próximo disco da banda, prova que aquele trabalho era apenas o primeiro capítulo de uma história que se torna cada vez mais grandiosa. Combinando a imponência de arranjos sinfônicos, a profundidade do metal melódico, a complexidade do metal progressivo e a ousadia do metal contemporâneo, a banda demonstra que existem caminhos muito além do óbvio no metal, abrindo novas perspectivas para um gênero que nunca para de se expandir e se reinventar.

