Gustavo Kaly lança “Emaranhados em gambiarras mal ajustadas” ao lado de Wander Wildner e Pata de Elefante
Parceria entre o catarinense e os gaúchos ganha edição em vinil e turnê pelo Brasil, consolidando um encontro histórico da cena sulista
Do extremo sul do Brasil para o mundo, o catarinense Gustavo Kaly une forças com o gaúcho Wander Wildner e a banda Pata de Elefante para lançar “Emaranhados em gambiarras mal ajustadas”, álbum que agora ganha edição em vinil e turnê por parte do país. O disco, disponibilizado nos streamings no segundo semestre de 2025, marca um capítulo simbólico na trajetória desses nomes fundamentais da cultura underground do Sul.
O projeto nasceu sem pressa, longe da lógica apressada do mercado. Durante anos, Kaly e Wander trabalharam as dez canções como quem respeita o tempo da criação, permitindo que letras e melodias amadurecessem até encontrarem a forma definitiva. O resultado é um trabalho que carrega densidade literária, interpretação intensa e um espírito visceral que atravessa gerações.
Produzido por Gabriel Guedes ao lado de Gustavo Kaly, o álbum organiza o caos criativo com a força instrumental da Pata de Elefante. A banda gaúcha adiciona camadas, texturas e energia, ampliando o alcance das composições e transformando o encontro em um verdadeiro banquete sonoro.
Um disco de histórias cruas e poesia urbana
Das dez faixas, nove são assinadas por Gustavo Kaly em diferentes fases de sua trajetória. A exceção é “Deixa isso pra lá”, releitura de um poema de David Tattersall, da banda inglesa The Wave Pictures, que ganha nova interpretação dentro do universo sulista do disco.
A faixa-título abre o trabalho com uma introdução narrativa na voz marcada de Wander Wildner, apresentando um personagem preso em meio ao caos urbano, observado sob a lente subjetiva de um pardal fictício. A arte da capa, assinada por Koti Chucrobillyman, dialoga diretamente com essa atmosfera crua e simbólica.
Ouça agora: https://gustavokaly.hearnow.com
“Olhar Veludo”, que inaugura o lado A do vinil, traz uma pegada folk conduzida pela Pata de Elefante e sustenta uma letra antiga de Kaly que encontra aqui sua versão definitiva. Já “Antes do café da manhã” mergulha em romantismo e drama com referências literárias, incluindo homenagem a Paulo Leminski.
“Depois que a guerra terminou” nasceu em apenas dez minutos e incorpora o som de um relógio marcando o tempo, transformando-o em elemento percussivo enquanto fala sobre perdas e deslocamentos. “Brasas quentes” carrega tensão e atmosfera western ao tratar de fuga e inquietação em um Brasil em ebulição.
No lado B, as reflexões ganham contornos mais existenciais. “O segundo lado do disco” aborda finitude, cancelamentos e dilemas da pós-modernidade. “Sempre que eu posso eu fujo do inverno”, frase originalmente lançada no repertório solo de Wander, reaparece em nova versão, reforçando o elo entre passado e presente.
“Tristeza a moda antiga” aposta em um samba cru para falar de relacionamentos com franqueza direta, enquanto “Teus pés por aqui”, composta originalmente em espanhol e lançada por Kaly em um trabalho pandêmico, surge agora em português, ampliando seu alcance emocional.
Sul, identidade e cultura underground em movimento
Radicado em Barcelona, Gustavo Kaly construiu uma trajetória marcada por poesia urbana, influência da literatura Beat e uma mistura que atravessa punk rock, folk, rock sulista e indie norte-americano. Seu trabalho desconstrói rótulos e mantém viva a tradição autoral que resiste fora do eixo comercial.
Wander Wildner, ex-líder dos Os Replicantes, segue como um dos pilares do rock gaúcho, com carreira solo consolidada e espírito inquieto que transita entre o punk, o brega e a canção popular brasileira. Sua presença no disco reforça o peso histórico da parceria iniciada ainda nos anos 90.
Já a Pata de Elefante, trio instrumental ativo desde 2002, soma prêmios e participações em grandes festivais, sendo reconhecida pela potência ao vivo e pela versatilidade que atravessa o rock clássico, moderno e o blues.
Com edição física em vinil, capa elaborada e turnê em andamento, “Emaranhados em gambiarras mal ajustadas” resgata o ritual do álbum como obra completa. Em tempos de consumo fragmentado, o encontro entre Kaly, Wander e Pata de Elefante reafirma que o rock independente do Sul continua pulsando, inquieto e disposto a transformar cicatrizes em arte.
Acompanhe Gustavo Kally no Instagram:
https://instagram.com/gustavo_kaly
Por Hominis Disss

