Zepelim e o Sopro do Cão lança “Arquibancada Sol”, disco de resistência e celebração pelo selo DoSol
A cena do interior nordestino segue pulsando com força, e a prova disso é o novo trabalho da banda Zepelim e o Sopro do Cão, de Campina Grande (PB). O grupo acaba de lançar “Arquibancada Sol”, segundo álbum da carreira, pelo selo potiguar DoSol. Produzido por Alexandre Capilé (Sugar Kane), o disco chega com dez faixas que misturam hardcore, punk e rap, sem abrir mão do sotaque e da memória popular do Nordeste.
O título vem da chamada “geral” dos estádios — a arquibancada descoberta, onde o povo se amontoava para torcer sob o sol forte. A ideia de coletividade em meio à precariedade, resistência no improviso e criação a partir das adversidades, atravessa todo o álbum.
O processo de produção teve também uma camada pessoal: o vocalista Babu conciliou a escrita das letras com a recuperação de uma lesão no joelho, que exigiu fisioterapia durante a pré-produção. A experiência trouxe ainda mais sentido à proposta de Arquibancada Sol, reafirmando que a arte sobrevive mesmo diante de limites.
As composições nasceram da parceria entre Babu e Dede Guima (voz, guitarras e direção visual), ganhando corpo junto a Igor Punk, Igor Carvalho e o convidado Petrus Martins na bateria.
Um caldeirão de referências
Musicalmente, o disco consolida a fusão já experimentada no trabalho anterior da banda: o rock brasileiro dos anos 90 (Planet Hemp, Raimundos, Chico Science & Nação Zumbi) se conecta a influências como Refused, Fugazi, Rage Against the Machine e Beastie Boys, além de referências atuais como Turnstile, Fontaines D.C. e Amyl and the Sniffers.
“Nosso amadurecimento como banda e as novas influências nos deram a chance de traduzir o velho e o novo, costurar um fio que se perdeu no rock brasileiro”, comenta Dede. Já o produtor Capilé destaca: “Quis deixar a banda crua, explorando o lado porão do rock, e funcionou muito bem”.
Além da produção, Capilé também participa com backing vocal na faixa “Pensar em Nada”.
A capa de Arquibancada Sol foi criada por Dede em parceria com sua mãe, Erika Cabral, artista que trabalha com colagens e ilustrações infantis. A arte recria uma arquibancada como espaço de diversidade, com inspiração direta em “Operários”, de Tarsila do Amaral.
O primeiro clipe, “Derramaro o Gai Pt. 2”, também assinado por Dede, utiliza técnicas de animação digital e analógica, misturando VHS, rotoscopia e colagens. A ideia é refletir a mesma mescla que marca o som do grupo: o choque entre o velho e o novo, entre o popular e o global.
Destaques faixa a faixa
O álbum abre com “Dopai”, que contrapõe fé e entorpecimento para sobreviver ao capitalismo. Em seguida, “Fificané” celebra os carnavais nordestinos e critica sua elitização, enquanto “Derramaro o Gai Pt. 2” conecta guerra, petróleo, sanfoneiros e maconha em narrativa anti-imperialista.
Entre momentos de peso e lirismo, surgem músicas como “Monomofo”, uma balada punk sobre amor e sobrevivência em cenários simples; “Obter”, grito de arquibancada e revolução; e “Skntñfia”, mergulho nas batalhas da mente.
O disco ainda traz “Pedras”, contra repressão e desigualdade; “Vivendo no Limite”, manifesto sobre produzir cultura longe dos grandes centros; “Pensar em Nada”, curta e direta contra os padrões do capitalismo; e a solar “Baía da Traição”, que resgata a memória afetiva do litoral paraibano.
Com Arquibancada Sol, o Zepelim e o Sopro do Cão reafirma o poder da cena independente nordestina: música feita na adversidade, mas com potência coletiva. Um disco que soa como arquibancada lotada, onde cada voz soma na resistência.
Sobre a banda
Formada em 2006 em Campina Grande (PB), a Zepelim e o Sopro do Cão combina hardcore e punk com influências de ska e rap. Em 2024 lançou seu primeiro álbum, Caranguejo de Açude, que consolidou uma base de fãs locais e apresentou a banda ao cenário alternativo regional. Com o disco, apresentaram também o mini documentário Revolução na Serra, que registrou o show de lançamento em Campina Grande. Entre seus lançamentos audiovisuais estão também os clipes de Domínio (2023), faixa do primeiro álbum; e Lara (2025), protagonizado pelo ator paraibano Joalisson Cunha (Cangaço Novo, Maria no Cangaço e O Agente Secreto), além do recém lançado Praia de Campina.
O grupo já dividiu palco com nomes da música paraibana como Escurinho e Cabruêra, e participou de festivais de destaque como o Festival DoSol (2024) e o ExpoRock Recife (2025).
Neste ano, a ZSC passou a integrar o selo DoSol, responsável pelo lançamento de seu segundo álbum, que chega em setembro, com produção de Alexandre Capilé (SugarKane).
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Por Thais Pimenta – Café8

