Das sombras do Livro de Enoque à força do Heavy/Power Metal: Symphony Towers revela seu ambicioso novo álbum “Black Symphony”
Mitologia, escuridão e riffs poderosos marcam o oitavo álbum conceitual do projeto liderado por Janilson Quadros
Atualmente em Bangkok, na Tailândia, o multi-instrumentista brasileiro Janilson Quadros segue expandindo fronteiras criativas com sua one-man band Symphony Towers. Em “Black Symphony”, seu oitavo álbum de estúdio, o músico reafirma a força de uma trajetória construída com independência absoluta, intensidade artística e identidade sólida dentro do Heavy/Power Metal contemporâneo.
Natural de Torres, no Rio Grande do Sul, Janilson é o responsável por todas as composições, gravações e produção do projeto. Com uma regularidade criativa impressionante, são quatro álbuns lançados apenas nos últimos três anos, o Symphony Towers se consolida como uma força singular no cenário underground, unindo peso, melodia e profundidade lírica. Tudo isso guiado por uma abordagem filosófica, simbólica e socialmente reflexiva.
Lançado em 18 de janeiro de 2026, “Black Symphony” representa mais um passo ousado na jornada artística de Janilson Quadros. O disco é um álbum conceitual inspirado no Livro de Enoque, texto apócrifo excluído do cânone bíblico tradicional. A obra não aborda o conteúdo de forma literal, mas utiliza sua mitologia e espiritualidade como ponto de partida para discutir temas como conhecimento proibido, a queda dos Vigilantes, o nascimento dos Nephilim, a corrupção da criação e o julgamento divino, sempre posicionando a humanidade em seu lugar frágil entre céu e Terra.
Liricamente, o álbum se desenvolve como uma narrativa contínua de revelação e colapso. Cada faixa funciona como um capítulo interligado, com linguagem poética, atmosférica e contida. Em vez de explicações diretas, o disco aposta em símbolos, ambiguidade e sugestões, convidando o ouvinte a uma jornada em sombras onde som, mito e emoção coexistem sem respostas fáceis.
Ouça Black Symphony em https://onerpm.link/
A abertura com “Seventh from Adam” apresenta Enoque como observador e testemunha do peso do conhecimento. Já “Children of the Earthbound Gods” foca na linhagem proibida surgida da união entre os Vigilantes e a humanidade, faixa que ganhou um videoclipe já disponível no YouTube. Ao longo do disco, momentos como “The Watcher’s Oath”, “Nephilim” e “The Cry of the Earth” aprofundam o conceito, com a própria Terra assumindo voz para lamentar a violência e o desequilíbrio causados pela queda.
O encerramento com a faixa-título “Black Symphony” funciona como um réquiem sombrio, onde todos os elementos apresentados ao longo do álbum convergem em um testemunho final expresso através da escuridão. É o ponto em que narrativa, atmosfera e peso se fundem de forma definitiva.
Assista “Children of the Earthbound Gods”:
Musicalmente, o álbum reforça a identidade do Symphony Towers no Heavy/Power Metal, equilibrando riffs densos, melodias épicas e atmosferas sombrias sempre a serviço da história que está sendo contada. “Black Symphony” não busca conforto nem conclusões fáceis. É uma interpretação sonora de um texto considerado proibido, um convite à reflexão existencial e à imersão em um universo onde revelação e ruína caminham lado a lado.
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Por Johnny Z. – JZ Press

