Teatro do Incêndio retorna com “São Paulo Surrealista” e confronta o conservadorismo com poesia e rebeldia
Em um cenário político e cultural cada vez mais sufocado por discursos reacionários, o Teatro do Incêndio reacende sua chama criativa com a reestreia do espetáculo “São Paulo Surrealista – Corpo Antifascista”, entre os dias 2 e 31 de agosto de 2025, sempre aos sábados e domingos, às 20h, na sede da companhia, em São Paulo. A nova temporada marca o início das celebrações pelos 30 anos do grupo, que serão comemorados em 2026.
Dirigida por Marcelo Marcus Fonseca, a montagem é um verdadeiro ritual teatral que transforma São Paulo em um delírio poético. Um convite à insubordinação estética e política, o espetáculo atualiza sua proposta original — que já teve sessões esgotadas entre 2012 e 2019 — para dialogar com os tempos sombrios do presente, zombando da onda conservadora que assola o país. O surrealismo, aqui, não é apenas linguagem: é posicionamento. É resistência imagética, escárnio e contracultura.
A dramaturgia é construída a partir de colagens e imagens sobrepostas, em que personagens reais e inventados — como Mário de Andrade, Pagu, Roberto Piva, André Breton, Antonin Artaud, ninfas e animais — percorrem uma São Paulo imaginada, que mais parece atravessar os Nove Círculos do Inferno de Dante Alighieri. Nada é realista, e essa é justamente a força do espetáculo: revelar a cidade a partir do irreal, do grotesco, do sagrado e do profano.
Com 25 artistas em cena, figurinos exuberantes, música ao vivo e referências cinematográficas a Pasolini e Fellini, a peça é uma verdadeira celebração da linguagem e da pulsação urbana. As canções foram compostas especialmente por Marcelo Fonseca e Wanderley Martins, algumas delas com inspirações e colagens de versos de Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire — dois poetas malditos que atravessam o espírito da obra.
Um dos trunfos da encenação é a exigência de que o público compareça fantasiado, transformando a plateia em parte do espetáculo. “Como em um carnaval estendido, o público deve chegar ao teatro com figurinos para compor a plateia como personagem. Vale tudo”, afirma Fonseca.
A versão 2025 presta homenagem especial ao poeta e ensaísta Claudio Willer (1940–2023), que foi consultor da montagem original e cujo legado rebelde e transgressor — alinhado ao surrealismo e à geração beat — permanece como guia espiritual do projeto.
30 anos de Teatro do Incêndio
A temporada de “São Paulo Surrealista” inaugura a programação comemorativa “Aumentar É Aumentar-se”, sob gestão da Colmeia Produções, que celebra três décadas da companhia. Além da peça, estão previstas:
- Dois espetáculos inéditos: “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de Plínio Marcos, e “Vocês Não Entenderam Nada”, de Marcelo Marcus Fonseca, inspirado em René de Obaldia (15/11 a 15/12);
- Rodas de conversa e vivências: “Incêndios da Memória” (2/8 a 6/9, sábados às 15h);
- Show especial: “Com o Coração na Boca”, com Cida Moreira e Rodrigo Vellozo;
- Projetos de formação e residência artística: como “A Aurora É Coletiva – Iluminar”, Vivência Artística e Residência Artística, voltados para jovens criadores e coletivos.
O Teatro do Incêndio, fiel à sua proposta de arte combativa, segue como um dos núcleos mais importantes da cena teatral independente paulistana — sempre incendiando estruturas com poesia, rebeldia e liberdade criativa. A cidade está em chamas. E o teatro também.
Serviço
Espetáculo: São Paulo Surrealista – Corpo Antifascista
Temporada: 2 a 31 de agosto – Sábados e domingos, às 20h
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada)
Vendas online – https://www.sympla.com.br/evento/sao-paulo-surrealista-corpo-antifascista-temporada-popular/2998801
Bilheteria: 1h antes das sessões. Aceita dinheiro, PIX e cartão.
Gênero: Surrealismo. Duração: 70 min. Classificação: 18 anos.
Importante: É obrigatório ao público ir com figurino (criação livre).
Local: Teatro do Incêndio
Endereço: Rua Treze de Maio, 48 – Bela Vista/Bixiga. São Paulo/SP.
Tel.: (11) 2609-3730. Na Rede: @teatrodoincendiooficial
Estacionamento pago em frente ou entorno ao Teatro.
Por Eliane Verbena – VERBENA ASSESSORIA

