Banzo lança single duplo com “Gratilucifer” e “Homem Foguete”: crítica social e lirismo psicodélico em sintonia paulistana
A cena underground de São Paulo acaba de ganhar um reforço de peso com o novo lançamento da Banzo, banda formada em 2024 por músicos veteranos da noite paulistana. O grupo acaba de colocar nas ruas seu segundo trabalho: o single duplo “Gratilucifer” / “Homem Foguete”, duas faixas que, apesar de contrastantes em sonoridade e atmosfera, compartilham a mesma raiz profunda de brasilidade, crítica social e conexão com tradições musicais globais.
A primeira faixa, “Gratilucifer”, é um samba rock incendiário. Carregada de groove e sarcasmo, a música entrega riffs que flertam com o blues e uma base de baixo com pegada funk, evocando ícones como B.B. King, Gilberto Gil e Jorge Ben. Mas a suavidade rítmica logo se confronta com uma letra cortante, que mira os “gurus” do autoconhecimento pop e os discursos motivacionais que escamoteiam exploração emocional e mercantilização da dor.
Sem meias palavras, “Gratilucifer” expõe o lado sombrio do universo do bem-estar new age, transformando o hit em um manifesto dançante contra o charlatanismo travestido de luz. A canção escancara contradições com acidez e swing — uma combinação rara e potente.
Psicodelia intimista e contemplativa
Na sequência, “Homem Foguete” revela uma face completamente diferente da Banzo: uma balada indie introspectiva, embebida em psicodelia e lirismo melancólico. Com ecos da clássica “Rocket Man”, de Elton John, a faixa mergulha nas turbulências internas de quem busca fuga em substâncias, lançando um olhar sensível sobre vícios, escapismo e solidão. É um voo solitário entre a dor e o desejo de transcendência, guiado por uma estética sonora etérea e emocionalmente densa.
Ambas as faixas foram gravadas no home studio da própria banda, um detalhe que reforça o caráter artesanal e visceral do projeto. A autenticidade do som pulsa em cada batida, livre de amarras comerciais ou filtros excessivos.
A arte da capa, assinada pelo artista visual baiano Marcelo Stolze, dialoga com a provocação de “Gratilucifer”, traduzindo visualmente as camadas simbólicas da faixa. Stolze, conhecido por seu trabalho com texturas, contrastes e crítica social, criou uma peça que funciona como extensão visual do manifesto sonoro da Banzo.
Banzo: reencontro de raízes musicais
O nome da banda não é mero acaso: “Banzo” evoca a profunda tristeza dos africanos escravizados no Brasil — sentimento que encontra ressonância direta no conceito do blues, a dor transformada em música. A partir dessa conexão ancestral, a banda constrói pontes entre a música brasileira e as sonoridades afro-americanas, não como fusão, mas como reencontro.
Ouça “Gratilúcifer” e “Homem Foguete”:
Com passagens por estilos que vão do candomblé ao rock clássico, do blues texano à surf music, os integrantes da Banzo trazem bagagem e versatilidade. O resultado é um som denso, vibrante e dançante, que celebra a pluralidade das raízes negras na música contemporânea.
“Gratilucifer” e “Homem Foguete” já estão disponíveis nas principais plataformas de streaming. O lançamento posiciona a Banzo como uma das bandas mais interessantes da nova cena autoral paulistana — com um pé no passado, os olhos no caos do presente e o som apontado para o futuro.
Acompanhe Banzo no Instagram: https://instagram.com/bandabanzo
Por Karinna Fiorito

